O tempo parecia ter parado por alguns segundos.
Caio estava ali, na minha frente… como se aqueles anos nunca tivessem existido. O mesmo sorriso, o mesmo olhar — mas agora carregando algo a mais… algo que eu não sabia explicar.
Minha mãe, sem perceber o turbilhão dentro de mim, continuava sorrindo:
— Vocês dois têm tanta história… vou deixar vocês conversarem.
Ela saiu devagar como se estivesse fugindo.
E ali ficamos… só nós dois.
— Eu não sabia que você vinha — ele disse, passando a mão na nuca, um pouco sem jeito.
— Nem eu sabia que você ainda vinha aqui — respondi, tentando manter a calma que claramente não existia.
Um silêncio tomou conta do ambiente.
Não era um silêncio vazio… era cheio de lembranças.
— Você sumiu, Paloma.
Aquelas palavras me atingiram mais do que eu gostaria.
— Eu não sumi… eu precisei ir — falei, quase em um sussurro.
Ele deu um leve sorriso, mas havia dor ali.
— Você sempre faz isso… vai embora quando as coisas ficam difíceis.
Aquilo me fez olhar diretamente nos olhos dele.
— E você sempre ficou… mas nunca fez nada pra me impedir.
Silêncio novamente.
Mais pesado dessa vez.
Do lado de fora, eu conseguia ouvir vozes, risadas, o movimento da casa enchendo — como sempre acontecia aos domingos.
Mas ali dentro… parecia outro mundo.
— Eu te vi ontem — ele disse de repente.
Meu coração disparou.
— No metrô.
Respirei fundo.
— Eu também te vi… só não sabia se era real.
Ele riu baixo.
— Eu quase fui atrás de você… mas você desapareceu.
— Parece que a gente é bom nisso, né? — respondi, com um meio sorriso.
Mas dessa vez… nenhum de nós achou graça.
Caio deu um passo mais perto.
— Paloma… você foi embora sem dizer nada. Sem me dar chance de entender.
Senti aquele peso antigo voltar, como se nunca tivesse ido embora.
— Eu precisava escolher meu futuro.
— E eu não fazia parte dele?
A pergunta ficou no ar.
Eu não tinha resposta… ou talvez tivesse, mas não queria encarar.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a porta se abriu de repente.
— Olha só quem tá aqui!
A sala começou a encher.
Abraços, risadas, vozes altas…
Mas tudo o que eu conseguia sentir era o olhar dele ainda preso no meu.
Como se aquela conversa…
ainda não tivesse acabado.
Continua...

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