Contos historias

O Encontro Parte 2- O que o tempo não levou

11:31Naah

O tempo parecia ter parado por alguns segundos.

Caio estava ali, na minha frente… como se aqueles anos nunca tivessem existido. O mesmo sorriso, o mesmo olhar — mas agora carregando algo a mais… algo que eu não sabia explicar.

Minha mãe, sem perceber o turbilhão dentro de mim, continuava sorrindo:

— Vocês dois têm tanta história… vou deixar vocês conversarem.

Ela saiu devagar como se estivesse fugindo.
E ali ficamos… só nós dois.

— Eu não sabia que você vinha — ele disse, passando a mão na nuca, um pouco sem jeito.
— Nem eu sabia que você ainda vinha aqui — respondi, tentando manter a calma que claramente não existia.

Um silêncio tomou conta do ambiente.
Não era um silêncio vazio… era cheio de lembranças.

— Você sumiu, Paloma.

Aquelas palavras me atingiram mais do que eu gostaria.

— Eu não sumi… eu precisei ir — falei, quase em um sussurro.

Ele deu um leve sorriso, mas havia dor ali.

— Você sempre faz isso… vai embora quando as coisas ficam difíceis.

Aquilo me fez olhar diretamente nos olhos dele.

— E você sempre ficou… mas nunca fez nada pra me impedir.

Silêncio novamente.
Mais pesado dessa vez.

Do lado de fora, eu conseguia ouvir vozes, risadas, o movimento da casa enchendo — como sempre acontecia aos domingos.
Mas ali dentro… parecia outro mundo.

— Eu te vi ontem — ele disse de repente.

Meu coração disparou.

— No metrô.

Respirei fundo.

— Eu também te vi… só não sabia se era real.

Ele riu baixo.

— Eu quase fui atrás de você… mas você desapareceu.

— Parece que a gente é bom nisso, né? — respondi, com um meio sorriso.

Mas dessa vez… nenhum de nós achou graça.

Caio deu um passo mais perto.

— Paloma… você foi embora sem dizer nada. Sem me dar chance de entender.

Senti aquele peso antigo voltar, como se nunca tivesse ido embora.

— Eu precisava escolher meu futuro.

— E eu não fazia parte dele?

A pergunta ficou no ar.

Eu não tinha resposta… ou talvez tivesse, mas não queria encarar.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a porta se abriu de repente.

— Olha só quem tá aqui!

A sala começou a encher.
Abraços, risadas, vozes altas…

Mas tudo o que eu conseguia sentir era o olhar dele ainda preso no meu.

Como se aquela conversa…
ainda não tivesse acabado.


Continua...

You Might Also Like

0 comments

Formulário de contato