Contos historias

O encontro Parte 1- Talvez o destino já estivesse escrevendo tudo, antes mesmo de eu perceber.

15:40Naah

Talvez o destino já estivesse escrevendo tudo, antes mesmo de eu perceber.

Eu estava indo visitar meus pais, que não via há cerca de seis meses por causa da faculdade de Arquitetura. Sempre que eu chegava, eles preparavam um almoço especial e aproveitavam para reunir amigos e familiares. Era o jeito deles de transformar minha volta em algo ainda mais acolhedor.

De pé na fila do metrô, o choro de uma criança chamou minha atenção. Ela estava à minha direita, no colo da mãe. Observei por alguns segundos e sorri.
Quando levantei os olhos, me deparei com um rosto… familiar.

Houve um breve encontro de olhares — intenso, estranho, quase como se já tivesse acontecido antes.
Mas o metrô chegou, e ele desapareceu no meio da multidão.

Minha viagem naquela noite seria longa. Eu sairia da zona sul até o centro da cidade e, de lá, pegaria mais dois ônibus até a casa dos meus pais, no interior. A noite estava fria e chuvosa, e tudo o que eu queria era um cobertor quentinho e um chocolate quente.

Eram exatamente 23h quando cheguei.
Eles já me esperavam na porta, como sempre: sorriso aberto, braços estendidos.
Ah… como era bom estar de volta.

Não que minha vida na zona sul, na casa da minha tia Sophia, fosse ruim. Mas shopping e cinema nunca preencheram o vazio que a saudade dos meus pais deixava.

Minha mãe parecia um pouco mais forte do que da última vez — e linda como sempre, com os cabelos soltos e um jeito único de se vestir.
Meu pai, mesmo mais velho que ela, não havia perdido o charme.

Conversamos tanto naquela noite que, quando percebemos, já eram três da manhã.
Eles foram dormir, e eu fiquei ali, caminhando pela casa…

Tudo estava exatamente no mesmo lugar.
Cada canto carregava lembranças.
Era impossível não sentir: aquele era o meu lugar.

O canto dos pássaros me despertou naquela manhã de domingo. Eu sabia que seria um dia especial. Sempre era, quando eu voltava. Já que não conseguia visitar todos, eles vinham até mim.

Fui tomar um banho, e logo pensei que meus pais realmente precisavam reformar a parte hidráulica da casa — tudo era muito antigo. Decidi que, quando voltasse para a casa da minha tia, procuraria alguém para resolver isso.

Mas meus pensamentos foram interrompidos pela campainha.

Curiosa, comecei a me arrumar rapidamente. Calcei minha sandália quando ouvi a voz da minha mãe, animada:

— Que alegria te ver! Quanto tempo! Ninguém avisou que você estava na cidade. A Paloma nem vai te reconhecer!

— Paloma está aqui? — ele perguntou, surpreso. — Pensei que ela não morasse mais aqui.

— Chegou ontem. Ela não mora mais, mas sempre nos visita quando pode. Fique à vontade, vou chamá-la.

Meu coração acelerou.

— Paloma, querida, vem aqui na sala!

Terminei de passar meu batom e fui.
Curiosa… ansiosa…

E então eu o vi.

Era ele.
O rapaz do metrô.
O olhar familiar.
O sorriso que, agora eu tinha certeza, nunca foi estranho — apenas esquecido.

— Paloma… que bom te ver.

Respirei fundo, ainda surpresa.

— Caio… quanto tempo.



                                                                                                                                        Continua...

You Might Also Like

0 comments

Formulário de contato